quinta-feira, outubro 04, 2007

A que ponto chegamos

Suzane von Richthofen consultando o advogado:
- Eu tenho alguma chance de ser absolvida?
- Só se for julgada pelo Congresso Nacional.


Caso alguém não se lembre da Suzane, basta substituir o nome dela por Champinha, Maníaco do Parque, Maníaco da Cantareira, Jason Vorhees ou Jack, o Estripador de Whitechapel.
A idéia continua a mesma. Infelizmente.

Marcadores: , ,

quinta-feira, setembro 20, 2007

Caso Renan para dummies

Recebi por e-mail este quadrinho politicamente incorretíssimo, mas possivelmente bem próximo da verdade.



Fiquei pasmo por que ele chegou justo no dia em que li na coluna do Clóvis Rossi um raciocínio bastante simples relacionando a absolvição secreta do Senador com a prorrogação da CPMF.
Eu nunca havia pensado nisso, mas faz todo o sentido do mundo: o governo "trocou" a absolvição do Renan pela aprovação do imposto do cheque.
E não adiantou a FIESP reclamar do imposto e o povo se indignar com o Senado.
No final das contas, todos eles se deram bem e nós seguimos pagando a conta.

Pode um negócio desses?

Ainda sobre a absolvição do Renan: seria cômico se não fosse trágico o fato de alguns senadores declararem que votaram a favor da cassação, mesmo depois do mundo inteiro saber que o número de votos foi insuficiente para mandar o Renan para casa. Quer dizer, tem gente mentindo na cara dura e nenhum deles sequer fica vermelho!

Só mesmo tendo muita presença de espírito, como a demonstrada pelo Cristovam Buarque, para não chamar o Jack Bauer para invadir o Congresso e "fazer o que fosse necessário para nos proteger do inimigo".

Ai que vontade que dá?


Jack, a solução dos nossos problemas

Marcadores: ,

terça-feira, setembro 04, 2007

Maioridade

Eis aqui uma questão interessante no país de Champinha.
Não sei se a diminuição da idade penal gera algum resultado, mas os radicais tem aqui um prato cheio para chiar contra os intocáveis menores assassinos.
Minha dúvida se baseia nos efeitos que a pena de morte traz nos Estados Unidos. Nunca ouvi falar em diminuição dos níveis de criminalidade, mas eles seguem enforcando, eletrocutando e injetando.



Dá vontade de pensar no caso, não dá?

Marcadores:

quarta-feira, julho 04, 2007

Festa do PCC

Recebi este vídeo por e-mail, o que significa que não tenho como comprovar a sua veracidade ou seu eventual desmentido posterior, mas de qualquer forma, fico sem saber se gostaria de ter participado da festa ou se saio correndo apavorado em direção à primeira ilha deserta que encontrar.

Impressionante, para dizer o mínimo, principalmente pela "preocupação" que o povo demonstra em ser reprimido pela Polícia.

Não estaríamos nos preocupando com os assuntos errados?

Marcadores:

sexta-feira, junho 22, 2007

Teoria da conspiração

Me acabou de ocorrer uma relação entre o atual caos aéreo do país e as investigações sobre a responsabilidade pela queda do avião da Gol, em 2006.

Mesmo que a imprensa publique que os controladores estão fazendo operação-padrão por conta de exigências trabalhistas não atendidas pelo Governo, fico pensando se isso não é na verdade uma forma de desviar a atenção da opinião pública ou mesmo de pressionar o Governo a não culpar as pessoas que estavam no Cindacta no dia do acidente.
Sim, por que dos três grupos envolvidos no acidentes (os pilotos do Legacy, os pilotos do Boeing da Gol e os controladores), pelo menos um tem que ser responsabilizado pelas mortes. Como os pilotos do Legacy podem ter o Governo dos Estados Unidos por trás, pode estar sobrando para os controladores, que vão a Brasília, depõem e choram.

E como eles sentem que a bomba vai acabar estourando mesmo na mão deles, nada melhor do que fazer o Governo de refém e fazer um "acordo", criar uma nuvem de fumaça para que ninguém seja punido.
Seria uma impunidade forçada, mas não deixaria de ser impunidade.

Vamos ver se a Internet não nos traz mais algumas informações sobre esta desconfiança.

Marcadores:

quarta-feira, junho 06, 2007

Mais bonito

Como bom Tricolor que sou, estou acostumado a ser alvo de brincadeiras relacionadas à sexualidade e à delicadeza que supostamente teriam a ver com os que compartilham meu gosto futebolístico.
Antigamente eu ficava incomodado. Hoje não. Depois que comecei a pensar um pouco nas razões dessas brincadeiras e nos outros entornos que vejo, deixei de me preocupar.
Hoje em dia, me sinto muito mais ofendido se me chamam de ladrão.
Viado? Gay? Bicha? Não pega nada. Mas não ouse sequer colocar em dúvida meu julgamento em uma vaquinha para comprar pão. A coisa pega.

Não quero me extender muito nas minhas razões.
Prefiro comentar um pouco as razões dos outros, daqueles que saem no tapa ao serem chamados de boiolas, mas que acham normal levar vantagem em tudo e ter imagem de desonesto.
"É assim mesmo", dizem alguns. "Não pode ser", rebato eu.
Ningué deveria se sentir bem ao ter a honestidade questionada, ao ser chamado de ladrão, de safado, de desonesto.
Outros dizem que é tudo culpa da Lei de Gérson.
Outra besteira: essa "lei" decorreu da desonestidade latente, não a originou.
E é bem isso mesmo: a desonestidade parece latente no povo, só esperando pela oportunidade de aparecer e aprontar das suas.


O Gérson vulgo "bode expiatório dos ladrões"


Não gosto de generalismo. A maioria deles é burra e míope.
Mas neste caso, não tenho muito medo de generalizar: o povo gosta de ser desonesto, de levar vantagem e de passar o outro para trás.
E não acho que seja uma coisa de todo mundo se dar bem.
O segredo da coisa é o cara se dar bem e o outro não. Se não houver alguém prejudicado ou ficando paa trás, não tem a mesma graça.
O sucesso do golpe depende do "trouxa".

E antes que me puxem a orelha, também não acho que a ojeriza ao gay e aceitação do "Gérson" sejam só por conta do machismo latino.
A menos, claro, que em algum dicionário do mundo macho e ladrão sejam sinônimos. Duvide-o-dó.

Dito isso, fica a pergunta que aceita respostas de quem achar que tem algo a dizer: por que o Brasil acha mais bonito ser ladrão do que ser gay?

Marcadores: , , ,

quarta-feira, maio 09, 2007

Carta aberta para Rosa Cristina

Discurso do Senador Pedro Simon
Plenário do Senado - Brasília, 13/02/2007 Carta aberta à mãe do menino
João Hélio, 6 anos, morto de forma cruel por assaltantes no Rio de
Janeiro, dia 07/02/2007.


Mãe,

Conheço o tamanho da tua dor, que é a mesma do Élson e da Aline. Para mim, é, também, uma dor vivida. A perda de um filho é, sem dúvida, o maior de todos os sofrimentos.

Por que tamanha provação? Versões contemporâneas de Abraão? "Tome seu filho, o seu único filho Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o, aí, em holocausto, sobre uma montanha que eu vou lhe mostrar".
Por que, então, o anjo de Javé não te ajudou a desatar aquela simples fivela, de um cinto dito de segurança, que permitiria devolver aos teus braços de mãe, o pequeno
João Hélio, o Isaac dos nossos tempos, para que ele permanecesse entre nós, dividindo e multiplicando sua alegria de vida?

"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?"
É nestes momentos que nos sentimos ínfimos, diante dos desígnios do Criador. Pior: é, também, nestes mesmos momentos que sabemos o quanto a humanidade se distanciou da Sua obra.
Disseste, "eles não têm coração".
Eles têm! É que nós utilizamos os dons que nos são ungidos e criamos, como novos deuses, a inteligência artificial, enquanto desdenhamos os sentimentos mais sublimes e naturais, aqueles que brotam, somente e semente, em corações fertilizados pelo amor e pela fraternidade. Ao contrário, permitimos que florescesse, em muitos corações, nas favelas e nos palácios, a barbárie. No Rio de Janeiro, em São Paulo, em
Brasília, em Washington ou em Bagdá.
É a humanidade, enquanto gênero humano, que se distancia dos seus próprios conceitos de benevolência, de clemência e de compaixão.

Que tuas lágrimas não se percam, apenas, nos índices de audiência e nos discursos de conveniência. Ao contrário, que elas mobilizem corações e mentes para a reconstrução dos valores que perdemos nessa travessia terrena. Em outros tempos, não tão distantes, os valores morais e culturais se construíam sobre o tripé família, escola e igreja. Hoje, a família foi dilacerada. A escola, sucateada. A igreja, excomungada. No lugar, um novo, e perverso, tripé: a droga, a rua e a arma. A droga,
como estímulo. A rua, como palco. A arma, como poder.

Ainda naqueles outros tempos, as famílias se reuniam para contar, e para trocar, suas histórias de vida. Era um grande círculo de amizade e fraternidade. Família, escola e igreja, ao mesmo tempo e no mesmo espaço.
Respeito, aprendizado e bênção. Pais heróis. Hoje, o círculo familiar deu lugar a um semicírculo vicioso. No centro, a TV, e os novos heróis são aqueles que mais atiram, que mais batem, que mais matam. É a arte imitando a vida. Ou incentivando a morte. Ou vice-versa.

Vim, vi e envelheci. Mas, por mais que possam tentar tripudiar o meu discurso e a minha prática, porque, dizem, obsoletos, não mudei.
Continuo vivendo os valores que herdei. Da família, da escola e da igreja. Para mim, não há diferença, na dor, entre o favelado que puxa o gatilho nas esquinas e o dirigente que manda despejar mísseis sobre cidades inteiras. Quantas serão as mães de Bagdá, que choram a morte de seus pequenos inocentes, meninos da guerra, trucidados em nome do poder e da ganância. Pior: "em nome de Deus". São, todos, bárbaros, cruéis, desumanos.

É essa a minha luta: resgatar o verdadeiro sentido de humanidade. Que os homens retomem o projeto do Criador. Onde reina a barbárie, de nada vão adiantar novas leis que não se cumprem; novas punições, que servirão, tão somente, para alimentar a impunidade. Há que se ressuscitar as letras mortas. E, isso se faz, somente, com o grito estridente das ruas.
Como bem disseste, o teu filho não pode ser mais um número nas estatísticas da violência. Como em outros casos tão recentes, temo que a tua imolação seja esquecida, quando a comoção dobrar a esquina. Talvez, a mesma esquina em que foste abordada, tão covardemente. Mas, a tua dor, não. Nunca mais. A dor por um filho é eterna. Ela nos acompanha, até que o encontremos, de novo, em outra dimensão. Por isso, as tuas lágrimas têm que irrigar a indignação, que hoje toma conta de
estádios, de ruas e de lares. Das famílias, das escolas e das igrejas.

Quem sabe o sacrifício do teu filho signifique o renascimento do tripé que suporta outros valores, que não a barbárie.
Somos parceiros, nessa dor.

Em tempo: quando conversares com o João Hélio, nos teus sonhos de mãe, diga-lhe que um menino alegre, feliz, bonito e inteligente como ele irá procurá-lo, entre todos os anjos.
Diga-lhe que eles têm muito em comum na inocência de criança. Ele partiu há alguns anos, mas, nas minhas mais belas lembranças, continua o mesmo guri que me encantava a alma. Também partiu precoce, como todas as vítimas de algum tipo de violência. Diga-lhe que esse guri se chama Matheus. Eu já conversei com ele, nos meus sonhos de pai.

Um abraço fraterno,

Senador Pedro Simon

Marcadores: ,

blog search directory Directory of Personal Blogs BlogBlogs.Com.Br