sábado, outubro 04, 2008

Chatice

Acabei de crer que eu devo ser muito chato. E não digo isso só em nome de quem convive comigo. Ser eu mesmo deve ser muito mais chato do que me aturar.

Senão, vejamos.
Se chego ao banheiro da empresa e encontro a pia molhada, antes de usá-la, eu a seco com papel toalha. Faço isso também na hora de ir embora, pensando que deixar a pia seca seria um sinal de respeito para o próximo usuário.
Quer coisa mais chata e demodé do que respeito?

Sou chato também no trânsito.
Salvo raríssimas ocasiões e horários, repeito quase que 100% das placas de Pare e daquelas que solicitam para não fechar o cruzamento ou tomar cuidado com os escolares atravessando a rua. Parto do princípio que se todo mundo fizer isso, todo mundo levará vantagem, chegará mais cedo em casa e diminuirá o risco de acidentes.
Não me julgo o único com razão e isso é chatíssimo.

Para concluir os exemplos de chatice, não faço falcatruas no Imposto de Renda!
Apesar de achar uma vergonha o fato de pagar impostos e ver o dinheiro deles parar no bolso de autoridades safadas e vagabundas, acho que o caminho correto é mudar a lei e diminuir os impostos elegendo pessoas que nos representem e não contrariar a lei e sonegar, achando que um erro justifica o outro.
Na verdade, nesta situação eu não sou chato, sou trouxa, mas é assim que escolhi viver e é assim que tento garantir a paz no meu sono.

E sigam-me os chatos!

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quinta-feira, janeiro 10, 2008

Bom exemplo

CÓDIGO DE ÉTICA DO ÍNDIOS NORTE AMERICANOS

1. Levante com o Sol para orar.
Ore sozinho.
Ore com freqüência.
O Grande Espírito o escutará se você, ao menos, falar.

2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho.
A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza,
originam-se de uma alma perdida.
Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito.

3. Procure conhecer-se, por si próprio.
Não permita que outros façam seu caminho por
você. É sua estrada, e somente sua.
Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o
melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e
honra.

5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da
natureza,
ou da cultura.
Se não foi ganhado nem foi dado, não é seu.

6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas
pessoas, plantas ou animais.

7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca
interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite.
Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal.

8. Nunca fale dos outros de uma maneira má.
A energia negativa que você colocar para
fora no universo, voltará multiplicada a você.

9. Todas as pessoas cometem erros.
E todos os erros podem ser perdoados.

10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito.
Pratique o otimismo.

11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós.
Toda a natureza faz parte da nossa família Terrenal.

12. As crianças são as sementes do nosso futuro.
Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida.
Quando forem crescidos, de-lhes espaço para que cresçam.

13. Evite machucar os corações das pessoas.
O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações.
A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.

15. Mantenha-se equilibrado.
Seu Mental, seu Espiritual, seu Emocional, e seu Físico, todos
necessitam ser fortes, puros e saudáveis.
Trabalhe o seu Físico para fortalecer o seu Mental.
Enriqueça o seu Espiritual para curar o seu Emocional.

16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá.
Seja responsável por suas próprias ações.

17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros.
Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas,
especialmente objetos religiosos e sagrados.
Isto é proibido.

18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo.
Se você não puder nutrir e ajudar a si
mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.

19. Respeite outras crenças religiosas.
Não force suas crenças sobre os outros.

20.Compartilhe sua boa fortuna com os outros.
Participe com caridade.

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sexta-feira, agosto 31, 2007

País de ladrões

Eu já devia achar normal tudo isto que está acontecendo.
Não devia mais me surpreender com a cara de pau de um Senador que é acusado de conduta imprópria no cargo (entre outras coisas) e que usa a máquina do Senado para pressionar, direcionar, conduzir e praticamente impor um desfecho favorável para o seu problema.
Essa coisa de voto secreto, relator cupincha e renúncia de funcionário, deixa o congresso com ar de cangaço e isso não carrega nenhum tipo de preconceito regionalista, apenas simboliza o "Deus dará" que parece reinar nas bandas do Planalto Central.


Renan, o verdadeiro Rei do Cangaço


Por mais que, no final das contas, ele seja mesmo cassado e até processado e preso, fica a sensação nauseante de que ele deve estar rindo de todos nós, eleitores pseudo-indefesos. Rindo por achar que, seja qual for o resultado das votações, de um jeito ou de outro, ele já ganhou.
Ou alguém acha que, se ele foi mesmo financiado por lobistas e fez negócios escusos, isso foi interrompido "só" por que ele está sob investigação?
Muito pelo contrário. Depois que começou esta confusão toda é que ele deve ter "metido a mão mesmo".
Como se diz nos gramados do país, "perdido por um, perdido por mil".

Mais nauseante ainda é pensar que ele (ou eles, se pensarmos no tão falado conceito de "quadrilha") pode achar que o povo na realidade não se importa e que daqui a pouco ninguém mais falará de Renan, de Monica Veloso, de filha ilegítima, de dinheiro de lobista e de tudo mais.
Para ele, tudo pode ser uma questão de tempo até o "País de ladrões" voltar a ser o que era ou, diriam alguns menos esperançosos, o que sempre foi.

De pouco adianta a decisão do Supremo de aceitar as denúncias contra os 40 do mensalão se logo depois nos deparamos com a cara de pau do pedido por voto secreto no caso Renan.
Todo o otimismo ético que a gente ganhou foi logo retirado pelo "cuspe" que recebemos na cara.
Simplesmente inacreditável.


A dúvida sobre Dirceu: ele é o Ali Babá ou apenas um dos 40?


E para continuar no terreno das náuseas, me veio o pensamento de que o povo, aquele conjunto de seres humanos que acorda às 4 da manhã, pega ônibus cheio (ou trem caindo aos pedaços ou lombo de jegue), trabalha 12 horas por dia e volta para casa apenas para enfrentar outro tipo de "perrengue", esse povo não se importa muito com ética na política, cidadania ou manutenção das instituições.
Para ele, o importante é ter o que comer e a roubalheira pode muito bem acontecer, contanto que ninguém venha pegar o pouco que ele tem.

Essa alienação (justificada ou não) acaba sendo a base do tal "País de ladrões" e preenche milhares de situações cotidianas do povo. Da não devolução do troco errado da padaria ao péssimo de costume de furar as enormes filas dos serviços públicos, tudo na nossa rotina aponta para a desonestidade, para o costume de sempre levar vantagem, para o "jeitinho" brasileiro.
E não adianta querer relacionar o "jeitinho" com a alegria ou o samba. Jeitinho para mim é sinônimo de ladroagem, de desonestidade, de falta de ética, ou seja, de tudo de ruim que uma sociedade pode ter.
Isso de alegria tem outro nome, mas não é objeto deste post.

Também não adianta afirmar que "todo mundo faz", que "sempre foi assim", que "ninguém liga mesmo". Alguém liga sim. Nós ligamos. Não todos, mas muito de nós ligam e muitos de nós querem fazer algo.
Não sei se esse "algo" é o Cansei.
Fiquei na dúvida depois que li a declaração do Luciano, um dos filhos de Francisco e que vi as peças publicitárias da campanha. Tudo muito lindo, limpo e "cheiroso", praticamente estéril. E foi exatamente isso que me incomodou.
Ficou com cara de auto-promoção para os "bacanas" que se associaram. Não ficou com cara de povo, não ficou com cara de verdade.

Só para finalizar esta pequena colcha de retalhos de desabafos, queria registrar o comentário feito por um colega de trabalho, um cara mais experiente e desiludido do que eu, a respeito das características desejáveis em pessoas para trabalhar na nossa empresa, para fazer negócios ou mesmo para se relacionar no dia a dia.
Segundo ele, nas descrições feitas rotineiramente pelo povo, o fato da pessoa ser honesta passou a ser um diferencial e não uma parte do "modelo básico" da pessoa.
Só isso já me aproxima mais do grau de desilusão que esse meu amigo possui hoje.
É uma pena pensar que, além de não se incomodar em ser anti-ético, o povo já não acha mais que a honestidade seja algo natural.
A coisa se inverteu e ninguém se espanta.
Parem o mundo que eu quero descer, ou pelo menos segurar bem a minha carteira já que deste "País de ladrões" só saio depois de "bater com as dez".

Quando nos omitimos, quando subornamos, quando ignoramos a miséria que está a nossa volta, quando varremos a sujeira para debaixo do tapete, quando mentimos pra nós mesmos e agimos com falta de caráter, estamos contribuindo um pouquinho mais para violência, para o crime, para a impunidade....não são só os governantes que são os desonestos e os culpados...claro que eles detêm o poder, mas, atitudes, vêm de cada um de nós....seja em casa, na rua ou no trabalho...cada um tem de assumir a sua parte da culpa.

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quarta-feira, junho 06, 2007

Mais bonito

Como bom Tricolor que sou, estou acostumado a ser alvo de brincadeiras relacionadas à sexualidade e à delicadeza que supostamente teriam a ver com os que compartilham meu gosto futebolístico.
Antigamente eu ficava incomodado. Hoje não. Depois que comecei a pensar um pouco nas razões dessas brincadeiras e nos outros entornos que vejo, deixei de me preocupar.
Hoje em dia, me sinto muito mais ofendido se me chamam de ladrão.
Viado? Gay? Bicha? Não pega nada. Mas não ouse sequer colocar em dúvida meu julgamento em uma vaquinha para comprar pão. A coisa pega.

Não quero me extender muito nas minhas razões.
Prefiro comentar um pouco as razões dos outros, daqueles que saem no tapa ao serem chamados de boiolas, mas que acham normal levar vantagem em tudo e ter imagem de desonesto.
"É assim mesmo", dizem alguns. "Não pode ser", rebato eu.
Ningué deveria se sentir bem ao ter a honestidade questionada, ao ser chamado de ladrão, de safado, de desonesto.
Outros dizem que é tudo culpa da Lei de Gérson.
Outra besteira: essa "lei" decorreu da desonestidade latente, não a originou.
E é bem isso mesmo: a desonestidade parece latente no povo, só esperando pela oportunidade de aparecer e aprontar das suas.


O Gérson vulgo "bode expiatório dos ladrões"


Não gosto de generalismo. A maioria deles é burra e míope.
Mas neste caso, não tenho muito medo de generalizar: o povo gosta de ser desonesto, de levar vantagem e de passar o outro para trás.
E não acho que seja uma coisa de todo mundo se dar bem.
O segredo da coisa é o cara se dar bem e o outro não. Se não houver alguém prejudicado ou ficando paa trás, não tem a mesma graça.
O sucesso do golpe depende do "trouxa".

E antes que me puxem a orelha, também não acho que a ojeriza ao gay e aceitação do "Gérson" sejam só por conta do machismo latino.
A menos, claro, que em algum dicionário do mundo macho e ladrão sejam sinônimos. Duvide-o-dó.

Dito isso, fica a pergunta que aceita respostas de quem achar que tem algo a dizer: por que o Brasil acha mais bonito ser ladrão do que ser gay?

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segunda-feira, maio 14, 2007

Que país é este?

Tentando achar respostas plausíveis para essa pergunta, segue uma cena que talvez possam explicar por que o (ainda) nosso Brasil é um país sui generis.

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Um sujeito comprou uma geladeira nova.
Para livrar-se da geladeira velha, colocou-a no gramado em frente à casa e pendurou um aviso dizendo: "De graça para um bom lar. Se a quiser, basta levá-la."

A geladeira ficou lá por três dias sem receber sequer um segundo olhar dos passantes. Finalmente, o sujeito chegou à conclusão de que as pessoas não acreditavam no que ele estava propondo.

Parecia bom demais para ser verdade e ele então mudou o aviso, que passou a ser: "Geladeira à venda, por $50 reais".

No dia seguinte alguém a tinha roubado.

Cuidado. Esse tipo de gente vota.

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