sexta-feira, setembro 01, 2006

O país como corporação

Este texto foi publicado originalmente n´A Firma, mas decidi deixar aquele espaço para falar somente de assuntos corporativos.

Sejam bem vindos a este novo espaço, onde pretendo publicar coisas interessantes a respeito de política, eleições, impunidade e transparência.

Espero que a coisa toda funcione e que as informações façam diferença para alguém.

A esperança é a última que morre.


Ok, eu me rendo. Confesso que a Firma está começando a sair do meu controle.
Não é mais possível manter este blog apenas como um relato das incongruências que vivo no meu trabalho ou como minhas opiniões sobre como as coisas deveriam ser dentro do mundo corporativo.
Não dá mais para deixar de pensar que tudo isto é grande demais para mim e tenho que deixar as coisas fluirem normalmente.

Digo isso por que não consigo mais deixar de incluir política aqui neste espaço.
Política aplicada, diriam alguns, mas ainda assim é política.

Tudo começou quando li a Época da semana passada (aquela edição sobre blogs) e notei uma certa semelhança entre o período eleitoral e a vida corporativa.
Antes que ofendam a honra da minha família, é bom dizer que não acho que uma empresa e um país funcionem da mesma maneira, mas sim que existem certas características que tornam muito parecido viver em um ou na outra.
Ou alguém ainda acha que os arigós não têm nenhuma responsabilidade quando elegem seus representantes ou escolhem seus empregos?
Assim como na Firma, no país também é preciso cuidar de quem vai cuidar de nós e exigir o cumprimento de determinados compromissos assumidos antes da posse.
Novamente vejo milhares de diferenças no comportamento de um e de outra, mas já comecei a traçar o paralelo e agora é tarde demais para desistir.
Queiram eles ou não, temos nossa responsabilidade e, no caso das eleições, temos também o poder, basta saber utilizá-lo.

Voltando à Época, gostei muito da coluna do Ricardo Neves que tratou de uma pequena consulta feita junto aos nossos representantes no Congresso Nacional.
Utilizando os dados disponíveis nos sites do Senado e da Câmara, o Ricardo encaminhou um e-mail pessoal a cada um deles questionando a opinião do parlamentar sobre o voto secreto durante as sessões plenárias.
Aqui são necessários dois esclarecimentos:
1 - são 513 deputados e 83 senadores, o que mostra que o Ricardo dedicou mesmo seu tempo a nos mostrar alguma coisa;
2 - o voto secreto no plenário é o responsável por não sabermos quem absolveu os colegas cuja cassação foi solicitada em CPIs como a do Mensalão; ao não saber quem vota em quem, não temos como saber se eles advogam em causa própria e quem diz uma coisa em público (provavelmente para parecer moralista e angariar votos) e faz outra coisa na penumbra do sigilo.

O resultado desse trabalho de formiguinha pode ser conferido no blog do Ricardo.

Por aqui, vou pedir licença ao Ricardo, repetir o seu trabalho e comparar os resultados.
Quero ver se nossos parlamentares passam a se preocupar um pouco mais ou pelo menos lêem o que se publica nas revistas semanais.
E vou divulgar esta idéia para a minha lista de arigós.
Daqui a poucas semanas, esta informação pode fazer toda a diferença na hora de apertar os botões coloridos da urna.

Pronto! Agora desopilei o fígado e posso voltar ao normal.
Não posso prometer nada, mas vou tentar voltar aos assuntos corporativos daqui para a frente.
Mas os de Brasília precisam deixar!
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